O corrimento vaginal é uma queixa muito comum no consultório ginecológico. Ele pode acontecer de forma episódica, em uma situação isolada, ou aparecer de maneira frequente, no chamado corrimento de repetição. Em muitos casos, a paciente já tentou diversos tratamentos para candidíase, vaginose bacteriana, “flora alterada” ou infecções vaginais, mas o sintoma continua voltando.
A verdade é que só existe uma forma de saber com mais precisão o que está causando o corrimento: avaliando uma amostra do conteúdo vaginal no microscópio. Durante a consulta, coletamos uma pequena amostra do corrimento vaginal e analisamos no microscópio. Assim, conseguimos observar as células, o padrão da flora vaginal e a presença de micro-organismos que podem estar relacionados ao corrimento, como fungos, bactérias, sinais de vaginose bacteriana, candidíase, inflamação vaginal ou outras alterações.
Esse exame é especialmente importante porque nem todo corrimento é o que parecer ser. Já acompanhei pacientes que trataram “candidíase” por meses, sem melhora, e na consulta descobrimos que se tratava de vaginose citolítica, uma condição que pode imitar a candidíase, causando ardor, coceira, irritação e corrimento, mas que exige uma abordagem completamente diferente.
Também é comum que o Papanicolau seja usado na tentativa de investigar corrimento de repetição. No entanto, isso é inadequado: o Papanicolau é um exame voltado principalmente para avaliar as células do colo do útero e rastrear alterações relacionadas ao câncer de colo uterino. Ele não é o melhor exame para diagnosticar a causa do corrimento vaginal. Da mesma forma, tratar apenas pela aparência do corrimento “a olho nu” pode levar a erros importantes; em alguns casos, a chance de erro diagnóstico pode ser de 80%.
Após o tratamento, o ideal é realizar um controle de cura, ou seja, repetir a avaliação e o exame para confirmar se a flora vaginal se reorganizou, se a inflamação melhorou e se os micro-organismos que estavam causando o corrimento realmente desapareceram ou foram controlados. Isso é ainda mais importante nos casos de corrimento recorrente, candidíase de repetição, vaginose bacteriana de repetição, ardor vaginal, coceira vaginal e irritação íntima persistente.
Se você está com corrimento vaginal, mau cheiro, coceira, ardência, dor na relação, irritação íntima ou sofre com corrimento de repetição, agende uma consulta. Nela, iremos avaliar sua saúde como um todo, investigar sua história, realizar o exame ginecológico e analisar o conteúdo vaginal no microscópio logo após a consulta, para entender a verdadeira causa do corrimento e indicar o tratamento mais adequado.