Você já sentiu aquele frio na barriga ao perceber, no meio do dia, que esqueceu de tomar a pílula? Ou, quem sabe, você até toma direitinho, mas sente que seu corpo está inchado, sua libido diminuiu e você simplesmente não se sente “você mesma”?
Se você balançou a cabeça concordando, saiba que não está sozinha. Milhares de mulheres estão migrando da pílula anticoncepcional para os LARCs (Long-Acting Reversible Contraceptives), ou Métodos Contraceptivos Reversíveis de Longa Duração.
A medicina evoluiu (e muito!). Hoje, não precisamos mais depender da nossa memória diária para evitar uma gravidez. Neste artigo, vou explicar detalhadamente as diferenças entre DIU e Implanon, para que você possa tomar uma decisão informada e segura.
Diferente da pílula, que depende de você lembrar de tomar todos os dias (o que gera falhas), os LARCs são colocados no seu corpo e “trabalham sozinhos”. Segundo a OMS, eles estão entre os métodos mais eficazes do mundo, com taxas de falha menores que 1% — comparáveis à laqueadura, mas totalmente reversíveis.
Estes dispositivos liberam uma dose muito baixa de progesterona diretamente no útero. Como a ação é local, a quantidade de hormônio que circula no seu sangue é mínima, o que reduz drasticamente os efeitos colaterais sistêmicos (como inchaço e alterações de humor).
Mirena: É o “irmão mais velho”. Além de contraceptivo, é um excelente tratamento. Ele é indicado para mulheres que sofrem com fluxo menstrual muito intenso ou cólicas fortes. Com ele, cerca de 65% das mulheres param de menstruar após um ano.
Kyleena: É o “irmão caçula”, menor e com dose hormonal mais baixa. Ideal para mulheres com útero pequeno ou nulíparas (que nunca tiveram filhos). A chance de parar de menstruar é um pouco menor que a do Mirena, mas o controle de cólicas continua excelente.
Se o seu desejo é ficar 100% livre de hormônios sintéticos e deixar seu ciclo ovulatório natural, estas são as opções para você.
DIU de Cobre: O clássico. Ele cria um ambiente no útero que impede a sobrevivência dos espermatozoides. Dura até 10 anos. O ponto de atenção é que ele pode aumentar um pouco o fluxo e as cólicas.
DIU de Prata: Uma evolução do modelo anterior. A prata estabiliza o cobre, diminuindo a oxidação. Na prática? Ele tende a causar menos cólicas e menos aumento de fluxo do que o DIU de cobre puro.
O Implanon é um pequeno bastonete (do tamanho de um palito de fósforo) inserido sob a pele do braço. Ele libera hormônio de forma contínua por 3 anos.
A grande vantagem: Não requer nenhum procedimento vaginal ou uterino.
A eficácia: É, estatisticamente, o método mais eficaz que existe, superando até a laqueadura.
Para quem é: Ótimo para quem esquece a pílula, tem contraindicação ao estrogênio ou não se adaptou aos DIUs.
Essa é a maior barreira que vejo no consultório, e preciso ser muito honesta com você: você não precisa sentir dor.
A ideia de que “colocar DIU dói muito” vem de uma época em que os procedimentos eram feitos “a sangue frio”. No meu consultório, sigo um protocolo rigoroso de conforto:
Preparo do colo: Usamos métodos para preparar o colo do útero.
Anestesia Local: Sim, igual no dentista. Faço um bloqueio anestésico no colo do útero antes de inserir o dispositivo.
Ambiente Acolhedor: Sem pressa, com calma e respeito ao seu tempo.
A maioria das minhas pacientes relata que o procedimento foi muito mais tranquilo do que imaginavam, comparável a uma cólica menstrual leve e rápida.
Não existe “o melhor método do mundo”. Existe o melhor método para a sua rotina, o seu fluxo menstrual e os seus objetivos.
Quer parar de menstruar? Mirena.
Quer zero hormônios? DIU de Prata.
Quer esquecer que usa algo e não quer mexer no útero? Implanon.
Sua liberdade começa com uma escolha consciente. Agende sua avaliação, vamos conversar sobre sua história e encontrar o método que vai te libertar da pílula.